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O impacto do distanciamento social

20-06-2021
21-09-2021

Na terceira idade, as pessoas experimentam muitas transformações na sua vida diária. Têm de lidar com constrangimentos físicos, com a reforma, com a perda de pessoas queridas, doenças, problemas de audição e algumas limitações em termos de independência e de autonomia. De acordo com a opinião de vários psicólogos, todo este contexto contribui para um aumento do sentimento de solidão, sobretudo entre quem tem mais de 65 anos.

A pandemia veio agravar ainda mais este cenário. Por pertencerem ao grupo de risco sujeito a uma maior probabilidade de contágio e agravamento da doença COVID-19, as pessoas nesta faixa etária tiveram de lidar com um conjunto de novas mudanças no seu estilo de vida. A quarentena e o distanciamento social passaram a ser obrigatórios e as consequências não tardaram a fazer-se sentir.

 

De acordo com vários estudos, as pandemias têm um impacto psicossocial bastante significativo. Geram estados de ansiedade profundos, transtornos de adaptação, stress, insónia e depressão, 

sobretudo entre as pessoas mais velhas, que são as mais vulneráveis.

 

Por isso, o distanciamento social na terceira idade, embora seja uma estratégia importante para combater a COVID-19, também é uma das principais causas da solidão entre esta população (particularmente em ambientes como lares), e é um fator de risco para depressão e outros transtornos do foro psicológico.

 

A diminuição da imunidade

Passados alguns meses desde o início da pandemia por COVID-19, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou o mundo que os quadros de stress aumentariam em todos os países, devido não só à necessidade de isolamento, mas também à disseminação de notícias falsas.

E a recomendação era de monitorização constante, especialmente em relação a pessoas com condições de saúde pré-existentes, o caso da maioria das pessoas mais velhas, que costumam apresentar pressão alta, problemas cardíacos e outras comorbidades.

E há uma estreita relação entre o stress e a imunidade. Isto porque o stress provoca respostas inflamatórias que reduzem a produção de leucócitos – os responsáveis pela defesa do organismo. Assim, situações de contínuo esgotamento ou desânimo acabam por contribuir para uma diminuição da imunidade. 

Além disso, o impacto pode agravar-se ainda mais se houver acesso constante a notícias, o que comprovadamente gera mais ansiedade e agitação.

 

A rotina é uma aliada

Ter uma rotina diária é muito benéfico para as pessoas de mais idade. E a inclusão de exercícios físicos também é positiva para combater alguns dos efeitos do distanciamento social na terceira idade. Uma boa ideia é organizar o dia com atividades de autocuidado (como higiene, alimentação, meditação); uma atividade produtiva que estimule a memória, faça rir ou ocupe o tempo (como algumas tarefas domésticas, hobbies, leitura); e exercícios adequados, que movimentem o corpo (como os alongamentos, yoga e até a dança, por exemplo). Outro conselho é limitar o acesso aos noticiários, visando minimizar sentimentos de medo, ansiedade e desesperança.

 

A perda auditiva e os efeitos do isolamento

A perda auditiva na terceira idade é outro fator que potencia o sentimento de isolamento. Isto porque as pessoas que têm problemas de audição acabam por se isolar ainda mais devido ao grande esforço que fazem para levar a cabo determinadas atividades: falar ao telefone, ver televisão, conversar, e assim por diante.

É fundamental procurar tratamento para a perda de audição. O apoio da família e dos amigos a este respeito é importantíssimo. Apesar de, na maioria dos casos, as pessoas com mais de 60 anos não se sentirem confortáveis com a ideia de iniciar um processo de reabilitação auditiva, é essencial que os mais próximos os ajudem a compreender o quão importante poderá ser o tratamento para a sua qualidade de vida e autoestima.