Quando a audição dos pais começa a mudar
Muitas vezes, é um dos filhos que começa por reparar que alguma coisa mudou.
A televisão está mais alta. É preciso repetir algumas frases. As conversas em família tornam-se mais difíceis de acompanhar ou o pai ou a mãe começam a participar menos quando estão várias pessoas a falar.
Se foi o primeiro a reparar nestes sinais, é natural que sinta necessidade de abordar o assunto. Mas não tem de o fazer sozinho. Conversar primeiro com os seus irmãos pode ajudar a perceber se também notaram alterações e a encontrar, em conjunto, uma forma tranquila de apoiar os vossos pais.
Porque é importante que a família esteja alinhada
Nem todos os irmãos convivem com os pais com a mesma frequência. Por isso, é perfeitamente possível que um tenha reparado em dificuldades auditivas que passaram despercebidas aos restantes.
Antes de concluir que existe efetivamente uma perda auditiva, vale a pena comparar observações: em que situações surgem as dificuldades? Acontecem frequentemente? É mais difícil acompanhar conversas quando existem várias pessoas ou ruído de fundo?
Este diálogo permite construir uma visão mais completa da situação e evita que toda a preocupação fique concentrada numa única pessoa.
O mais importante, porém, não é reunir a família para convencer os pais de que têm um problema. É criar uma rede de apoio consistente, capaz de incentivar uma avaliação auditiva quando existem sinais que o justifiquem e de acompanhar os passos seguintes, respeitando sempre a autonomia de quem está no centro da decisão.
Abordar o assunto com os seus irmãos
Comece por partilhar situações concretas, em vez de preocupações gerais.
Em vez de dizer “acho que a mãe está a ouvir muito mal”, explique aquilo que tem observado: por exemplo, que aumenta frequentemente o volume da televisão, pede para repetir determinadas frases ou tem mais dificuldade em acompanhar as conversas durante as refeições em família.
Tenha também em conta que os seus irmãos podem não ter reparado nas mesmas situações ou podem simplesmente não reconhecer alguns dos sinais associados à perda auditiva.
Ouça o que cada um tem observado e conversem sobre a melhor forma de abordar o tema com os vossos pais.
Não é necessário que todos repitam a mesma mensagem ou abordem o assunto ao mesmo tempo. Aliás, isso pode fazer com que a pessoa se sinta pressionada. O objetivo é existir coerência, respeito e disponibilidade para ajudar, sem transformar uma preocupação legítima numa confrontação familiar.
Apoiar em família a audição dos seus pais
Quando os pais começam a precisar de algum apoio relacionado com a audição, pequenas tarefas podem facilmente acumular-se numa só pessoa.
Dividir responsabilidades de acordo com a disponibilidade e os pontos fortes de cada irmão pode tornar todo o processo mais simples para a família.
A distância, por si só, não impede o envolvimento. Dependendo do centro, do tipo de acompanhamento e das necessidades do cliente, alguns momentos podem também permitir a participação de familiares à distância.
Mais importante do que dividir todas as tarefas de forma igual é encontrar uma organização que funcione para a família sem retirar autonomia aos vossos pais.
Algumas pessoas precisam de tempo até se sentirem preparadas para fazer uma avaliação auditiva ou considerar a utilização de aparelhos auditivos.
As razões podem ser muito diferentes. Pode existir preocupação com a aparência dos aparelhos, dúvidas sobre a adaptação, receio de não se habituarem ou simplesmente dificuldade em reconhecer uma alteração que aconteceu gradualmente.
Nestes casos, insistir repetidamente pode ter o efeito contrário ao pretendido.
Procure perceber primeiro o que está por detrás da resistência. Faça perguntas, ouça as preocupações e partilhe aquilo que tem observado sem acusações.
Pode também oferecer-se para acompanhar os seus pais numa avaliação auditiva. Uma consulta permite perceber objetivamente como está a audição e esclarecer dúvidas com um audiologista, sem que isso implique automaticamente a utilização de aparelhos auditivos.
Caso exista indicação para reabilitação auditiva, o audiologista poderá explicar as opções disponíveis, o processo de adaptação e o acompanhamento necessário.
Os aparelhos auditivos atuais são também muito diferentes dos dispositivos que algumas pessoas ainda imaginam: existem modelos discretos e tecnologias desenvolvidas para diferentes necessidades auditivas e estilos de vida. Ainda assim, a decisão deve pertencer sempre à pessoa que os vai utilizar.
Perceber que a audição da sua mãe ou do seu pai está a mudar pode trazer muitas dúvidas: quem deve abordar o assunto, como falar sem criar resistência e quem ficará responsável por acompanhar os passos seguintes?
Não é necessário que todos os irmãos façam exatamente o mesmo ou estejam sempre de acordo. O mais importante é que exista comunicação suficiente para que os vossos pais encontrem apoio, e não pressão, e para que nenhuma pessoa da família sinta que tem de assumir tudo sozinha.
Comecem por conversar entre irmãos, partilhem aquilo que têm observado e, se existirem sinais de dificuldade auditiva, incentivem os vossos pais a fazer uma avaliação.
E se tem um irmão ou uma irmã com quem precisa de começar esta conversa, partilhe este artigo. Pode ser uma forma simples de dar o primeiro passo.
Quando a família estiver preparada, uma avaliação auditiva pode ajudar a esclarecer dúvidas e perceber se existe perda auditiva e qual o acompanhamento mais adequado. Encontre o Centro Auditivo Widex mais próximo e marque uma consulta de avaliação auditiva.
Fontes:
1. Journal of the American Academy of Audiology: Hearing Aid Adoption is Associated with the Type of Significant Other in Attendance at Hearing Care Appointments (2019): pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9716445/