Notar mudanças na audição de um colega demonstra atenção, empatia e preocupação com o seu bem-estar. Além disso, pode contribuir para uma comunicação mais eficaz dentro da equipa e para um ambiente de trabalho mais inclusivo.
Em muitos casos, os colegas de trabalho são das primeiras pessoas a reparar em sinais de perda auditiva, por passarem várias horas por dia a interagir em reuniões, chamadas e conversas presenciais. Saber identificar estes sinais e abordar o assunto com sensibilidade pode fazer uma diferença significativa, ajudando a pessoa a sentir-se apoiada sem comprometer a sua privacidade ou confiança.
Se pretende ajudar um colega a dar os primeiros passos para compreender melhor a sua saúde auditiva, recomendar um rastreio auditivo pode ser um excelente ponto de partida.
As alterações auditivas surgem frequentemente de forma gradual. Por isso, é comum que os sinais passem despercebidos numa fase inicial e só se tornem evidentes quando determinados comportamentos começam a repetir-se. Alguns dos sinais mais frequentes incluem:¹
É importante considerar que outros fatores também podem afetar a comunicação, como o stress, o cansaço ou um ambiente de trabalho particularmente barulhento. No entanto, quando estes comportamentos se tornam recorrentes, podem indicar alterações na audição e justificar uma abordagem cuidadosa.
Decidir se deve abordar o tema pode não ser simples. Por um lado, existe a vontade genuína de ajudar; por outro, é essencial respeitar a privacidade e a autonomia do seu colega.
O mais importante é lembrar que não lhe cabe fazer diagnósticos nem sugerir soluções específicas. O seu papel pode ser simplesmente o de oferecer apoio, partilhar informação útil e, caso a pessoa demonstre abertura, incentivar a procura de orientação profissional.
Antes de iniciar a conversa, considere os seguintes aspetos:
Reflita sobre a forma como as possíveis alterações à audição podem estar a afetar a comunicação, o desempenho ou até a segurança no trabalho.
Quando as dificuldades começam a interferir com tarefas do dia a dia, reuniões ou interações importantes, abordar o tema pode ser uma forma de apoio genuíno.¹ Ainda assim, se não existir grande proximidade, procure agir com especial delicadeza e respeito.
Se o seu colega já comentou sentir dificuldades em ouvir ou acompanhar determinadas situações, poderá estar mais disponível para conversar sobre o tema.
Nestes casos, uma abordagem empática pode ser particularmente bem recebida.
Como abordar a conversa
Ao invés de fazer afirmações ou tirar conclusões, partilhe aquilo que observou. Por exemplo: "Tenho reparado que as reuniões, por vezes, avançam muito depressa e pergunto-me se estás a conseguir acompanhar tudo com clareza".
Esta abordagem reduz o risco de a pessoa se sentir julgada e mantém a conversa centrada na sua preocupação genuína.
Evite fazer diagnósticos ou assumir que sabe o que está a acontecer. Por exemplo, expressões como: "Acho que tens um problema de audição." devem ser evitadas.²
Também não é aconselhável pressionar a pessoa a agir imediatamente ou recomendar soluções específicas.² Se decidir partilhar experiências pessoais, procure fazê-lo de forma equilibrada e autêntica. Evite recorrer a histórias alarmistas ou exemplos encontrados online que possam gerar desconforto ou ansiedade.²
Formas de oferecer apoio e recursos
Pequenas mudanças podem contribuir significativamente para uma comunicação mais eficaz e inclusiva no local de trabalho.
Algumas estratégias úteis incluem:
Se desempenha funções de liderança, pode ainda considerar adaptações práticas que facilitem a participação de todos os colaboradores, tais como:¹ ⁴
A perda de audição pode ter impacto na comunicação, na confiança e até no bem-estar emocional. Por isso, uma abordagem compreensiva e respeitosa pode fazer toda a diferença.
Se pretende saber mais sobre saúde auditiva ou conhecer opções de apoio disponíveis, fale com um audiologista no centro auditivo Widex mais próximo de si.
Mesmo que o seu colega não esteja preparado para agir de imediato, o simples facto de demonstrar compreensão e disponibilidade pode ajudá-lo a procurar ajuda quando se sentir pronto.
Falar com um colega sobre possíveis alterações na audição pode parecer uma conversa delicada, mas, quando abordada com empatia, respeito e discrição, pode ter um impacto muito positivo.
Ao reconhecer sinais de perda de audição, criar espaço para um diálogo aberto e oferecer apoio sem pressão, está a contribuir para um ambiente de trabalho mais inclusivo, colaborativo e atento ao bem-estar de todos.
Por vezes, um simples gesto de preocupação genuína pode ser o primeiro passo para que alguém procure ajuda e melhore a sua qualidade de vida auditiva. Afinal, comunicar bem é essencial para trabalhar melhor, sentir-se incluído e manter relações profissionais mais fortes e saudáveis.
Fontes:
1. HearUSA: How to recognize hearing loss in loved ones (2026): https://www.hearusa.com/blog/recognizing-hearing-loss-in-loved-ones/
2. HearUSA: Ask an expert: what should I say (and avoid saying) to someone with hearing loss. (2026): https://www.hearusa.com/blog/what-not-to-say-to-someone-with-hearing-loss/
3. American Speech-Language-Hearing Association (ASHA): Tips for communicating with someone who has hearing loss. (2011): https://www.asha.org/about/press-room/articles/tips-for-communicating-with-someone-who-has-hearing-loss/
4. State Insurance Regulatory Authority NSW: Working with a hearing loss – a workplace adjustment toolkit. (2025): https://www.sira.nsw.gov.au/resources-library/injury-advice-centre/working-with-a-hearing-loss