A evidência científica sugere que pessoas com perda auditiva têm entre três a cinco vezes mais probabilidade de desenvolver demência do que pessoas com audição normal.¹
No entanto, isto não significa que a perda auditiva cause diretamente demência ou que todas as pessoas com perda auditiva venham a desenvolvê-la. O que os estudos indicam é uma associação consistente entre ambas as condições.
Mesmo alterações ligeiras na audição podem obrigar o cérebro a trabalhar mais para interpretar sons, compreender a fala e processar informação. Com o tempo, este esforço adicional pode afetar a memória, a atenção e outras funções cognitivas.
A identificação e o tratamento precoce da perda auditiva são, por isso, passos importantes para reduzir o impacto no funcionamento cognitivo e promover um envelhecimento mais saudável.
Os aparelhos auditivos não previnem a demência de forma absoluta, mas os estudos sugerem que podem desempenhar um papel importante na redução do risco.³
Ao melhorar a audição, os aparelhos auditivos ajudam o cérebro a processar a informação sonora com menor esforço. Isto permite que mais recursos cognitivos sejam utilizados para funções como a atenção, a memória e a compreensão.⁴
A investigação também indica que o uso de aparelhos auditivos pode contribuir para manter ou melhorar a atividade em áreas do cérebro associadas à audição.⁵
Ainda assim, é importante ter em conta que a saúde cognitiva depende de vários fatores, incluindo estilo de vida, saúde cardiovascular, atividade física e envolvimento social. A audição é um elemento-chave dentro deste conjunto.
Quando a perda auditiva não é tratada, o cérebro permanece em esforço contínuo para compreender sons e conversas.
Com o tempo, este esforço pode resultar em fadiga mental, dificuldades de concentração e maior cansaço em situações sociais.⁶
A perda auditiva não tratada está também associada ao isolamento social e a sintomas depressivos, ambos fatores que podem aumentar o risco de declínio cognitivo e demência.⁴
Estudos indicam ainda que adultos com perda auditiva, especialmente entre os 45 e os 65 anos, podem ter um risco duas a cinco vezes superior de desenvolver dificuldades cognitivas.⁴
Intervir precocemente é, por isso, uma medida relevante para proteger tanto a audição como a saúde cognitiva.
Não é necessário esperar por uma perda auditiva significativa para procurar ajuda.
Deve considerar uma avaliação auditiva se notar:
Cuidar da audição é uma forma concreta de contribuir para a saúde cognitiva ao longo do tempo.
A intervenção precoce permite manter o cérebro estimulado, ativo e envolvido, promovendo uma melhor qualidade de vida.
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Fontes
1. Alzheimer’s Disease & Associated Disorders: ‘Age-related Hearing Loss and Dementia’, (2019): https://doi.org/10.1097/WAD.0000000000000325
2. PLoS One: Hearing loss and cognition: the role of hearing AIDS, social isolation and depression, (2015) https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0119616
3. Archives of Neurology: ‘Hearing loss and incident dementia’, (2011): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21320988/
4. Frontiers in Dementia: ‘Hearing loss and its link to cognitive impairment and dementia’, (2023): https://doi.org/10.3389/frdem.2023.1199319
5. Frontiers in Neuroscience: ‘Cortical neuroplasticity and cognitive function in early-stage hearing loss: evidence of neurocognitive benefit from hearing aid use,’ (2020): https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7040174/
6. Journal of Clinical Medicine: ‘Mental fatigue in patients with hearing loss and/or tinnitus undergoing audiological rehabilitation: A pilot study’ (2023): https://www.mdpi.com/2077-0383/12/21/6756
7. Trends in Hearing: ‘Hearing aids reduce daily-life fatigue and increase social activity: a longitudinal study’ (2021): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34747674/