A perda auditiva pode desenvolver-se de forma tão gradual que nem sempre é fácil perceber quando começa. Ao longo do tempo, a pessoa vai adaptando alguns comportamentos e pode não ter consciência de tudo aquilo que deixou de ouvir.
Alguns sinais de perda auditiva a que deve estar atento incluem:
Um destes comportamentos isoladamente não significa necessariamente que exista perda auditiva. No entanto, se começar a identificar vários sinais de forma recorrente, pode ser importante incentivar uma avaliação da audição.
Uma das causas mais comuns de perda auditiva em adultos mais velhos é a presbiacusia, ou perda auditiva relacionada com a idade. Trata-se de uma alteração progressiva da audição que ocorre à medida que envelhecemos.
Existem também outros fatores que podem contribuir para a perda de audição, incluindo a exposição prolongada a ruído intenso e determinadas condições de saúde.
Os estudos mostram, por exemplo, uma associação entre diabetes e maior prevalência de perda auditiva.¹ Como estas alterações podem acontecer lentamente e de forma diferente em cada ouvido, é possível que a dificuldade auditiva só se torne evidente passado algum tempo.
Embora muitos tipos de perda auditiva permanente não possam ser revertidos, existe a possibilidade de fazer reabilitação auditiva que pode melhorar a capacidade de comunicação e contribuir para uma melhor qualidade de vida.
Esta é uma situação comum para muitos filhos adultos. Quando uma mãe ou um pai evita falar sobre a possibilidade de ter perda auditiva, a reação pode estar associada à dificuldade em reconhecer uma mudança gradual ou ao receio do que essa mudança representa.
Como a perda auditiva é invisível e se pode desenvolver lentamente, a própria pessoa nem sempre percebe a dimensão da dificuldade. Além disso, reconhecer que já não ouve como antes pode ser emocionalmente difícil, sobretudo quando é associado ao envelhecimento, à perda de independência ou ao receio de ser visto como menos capaz.²,³
Por isso, aquilo que pode parecer resistência ou teimosia nem sempre o é.
Em alguns casos, é mais fácil atribuir as dificuldades à forma como os outros comunicam (“As pessoas já não falam de forma clara”) do que reconhecer que a própria audição pode ter mudado.
O momento, o tom e a forma como inicia a conversa podem fazer toda a diferença. Em vez de tentar convencer imediatamente a sua mãe ou o seu pai de que têm perda auditiva, partilhe aquilo que tem observado e dê-lhes espaço para falar sobre a sua própria experiência.
Alguns princípios podem ajudar:
É possível que a primeira reação seja negar o problema, mudar de assunto ou ficar incomodado. Isso não significa necessariamente que a conversa não tenha sido importante.
Aceitar uma mudança na audição pode levar tempo. Para algumas pessoas, reconhecer uma perda auditiva significa também confrontar-se com o envelhecimento ou com o receio de perder alguma independência.³
Não pode tomar a decisão pela sua mãe ou pelo seu pai, mas pode manter-se disponível para ajudar quando estiverem preparados. Evite transformar todas as dificuldades de comunicação numa discussão sobre a audição e procure manter o assunto aberto, sem pressão.
Quando surgir uma oportunidade adequada, pode explicar que cuidar da audição também é importante para o bem-estar e para manter uma vida social ativa. A perda auditiva não tratada está associada a maior isolamento social e dificuldades de comunicação e tem sido estudada pela sua relação com o declínio cognitivo.⁵
Uma forma de tornar o primeiro passo mais simples é apresentar a avaliação da audição como aquilo que realmente é: uma forma de perceber como está a saúde auditiva, tal como acontece com outros exames de rotina.
Experimente estas abordagens:
O mais importante é abordar o tema com respeito e empatia. Incentivar alguém a cuidar da sua audição pode exigir tempo, sobretudo quando a própria pessoa ainda não reconhece as dificuldades que os familiares já começaram a notar.
Quando o seu familiar estiver preparado, uma avaliação auditiva realizada por um audiologista permitirá perceber como está a sua audição e, caso seja identificada uma perda auditiva, conhecer as opções de acompanhamento e reabilitação mais adequadas.
O apoio da família pode fazer uma diferença importante neste percurso não tomando decisões pela pessoa, mas ajudando-a a dar o primeiro passo para voltar a acompanhar as conversas e os momentos que fazem parte do seu dia a dia.
Fontes:
1. PLOS One: Hearing loss as a function of aging and diabetes mellitus: A cross sectional study (2014): doi.org/10.1371/journal.pone.0116161
2. Journal of Hearing Science: Denial by patients of hearing loss and their rejection of hearing health care: A review (2018): doi.org/10.17430/906204
3. Ear and Hearing: The self-stigma of hearing loss in adults and older adults: A systematic review (2023): doi.org/10.1097/AUD.0000000000001398
4. International Journal of Audiology: Coping together with hearing loss: A qualitative meta-synthesis of the psychosocial experiences of people with hearing loss and their communication partners (2017): doi.org/10.1080/14992027.2017.1286695
5. International Journal of Audiology: To tell or not to tell? Exploring the social process of stigma for adults with hearing loss and their families: Introduction to the special issue (2025): doi.org/10.1080/14992027.2023.2293651