O zumbido, também conhecido por tinnitus, é a perceção de um som (como um apito, um zumbido ou um chiado) sem existir qualquer som no ambiente à sua volta. Apenas a pessoa que o sente consegue ouvi-lo.¹
O zumbido não é uma doença, mas sim um sintoma. Pode estar associado a alterações no ouvido interno causadas por exposição ao ruído, perda auditiva relacionada com a idade ou determinados medicamentos. Também pode surgir devido a infeções no ouvido, lesões na cabeça ou no pescoço e problemas cardiovasculares.
Alguns tipos de zumbido podem ter uma causa temporária, como uma infeção no ouvido, e desaparecer após o tratamento adequado.
Quando existe perda auditiva, o cérebro recebe menos estímulos sonoros provenientes do ambiente. Em algumas pessoas, esta redução pode contribuir para a perceção de sons internos, como um apito ou um zumbido. Ao amplificarem os sons à sua volta, os aparelhos auditivos podem ajudar a reduzir a perceção desse som interno.
Como o zumbido pode ter diferentes causas, incluindo alterações auditivas, efeitos secundários de medicamentos, infeções ou problemas de circulação, é aconselhável procurar um médico para uma avaliação adequada. Identificar a origem do zumbido é essencial para definir a abordagem mais indicada para cada caso.
Sim. Quando o zumbido está associado à perda auditiva, os aparelhos auditivos podem proporcionar um alívio significativo para muitas pessoas.
Os estudos mostram que os aparelhos auditivos podem reduzir tanto a intensidade com que o zumbido é sentido como o incómodo que provoca, especialmente quando também existe perda auditiva.²
A investigação confirma estes benefícios. Um estudo europeu⁵ concluiu que os aparelhos auditivos reduziram o desconforto associado ao zumbido numa grande variedade de pessoas, independentemente do tipo de zumbido ou da gravidade da perda auditiva.
Outros estudos mostram⁶ que os aparelhos auditivos corretamente ajustados por um audiologista tendem a apresentar melhores resultados do que dispositivos mal adaptados, tanto na redução da intensidade do zumbido como do incómodo que este provoca. É por isso que o acompanhamento por um profissional de saúde auditiva qualificado é tão importante.
Não. Os aparelhos auditivos não eliminam a causa do zumbido, mas podem reduzir significativamente a forma como este é sentido.
Muitos aparelhos auditivos incluem funcionalidades específicas para a gestão do zumbido. Alguns conseguem emitir ruído branco ou sons suaves da natureza diretamente nos ouvidos, ajudando a reduzir a perceção do som interno.²,³ᵇ
Depende de cada pessoa.
Algumas pessoas notam uma diferença quase imediata, porque os sons amplificados ajudam a desviar a atenção do zumbido interno.
Outras sentem uma melhoria gradual ao longo de semanas ou meses, à medida que o cérebro se adapta progressivamente aos novos estímulos sonoros.³ᵃ,³ᵇ,⁴
Os benefícios tendem a ser maiores quando os aparelhos auditivos são acompanhados por apoio especializado e terapia sonora.
A dessensibilização do zumbido é uma abordagem que utiliza sons suaves para ajudar o cérebro a atribuir menos importância ao zumbido ao longo do tempo.
Alguns aparelhos auditivos incluem funcionalidades específicas que reproduzem sons, como ruído branco, ruído rosa ou sons da natureza, tornando o zumbido menos percetível e mais fácil de ignorar no dia a dia.
Imagine uma ventoinha ligada numa divisão silenciosa: o som continua presente, mas deixa gradualmente de chamar a sua atenção. O mesmo princípio pode aplicar-se ao zumbido.
A dessensibilização pode atuar de diferentes formas:
A investigação também sugere que direcionar os sons para o ouvido onde o zumbido é mais intenso pode melhorar os resultados.⁸
O seu audiologista poderá recomendar a estratégia mais adequada às suas necessidades e ajustar os aparelhos auditivos para proporcionar o maior conforto possível.
Não de forma igual. A resposta varia de pessoa para pessoa.
A investigação mostra que os aparelhos auditivos ajudam a reduzir o desconforto causado pelo zumbido numa grande variedade de pessoas e tipos de tinnitus.⁵
No entanto, fatores individuais como a idade, o estado de saúde, o tipo de zumbido, a presença de perda auditiva e a forma como cada pessoa reage emocionalmente ao som influenciam o benefício que pode ser obtido.⁹
Os aparelhos auditivos tendem a proporcionar melhores resultados quando o zumbido está associado à perda auditiva, uma vez que ambas as situações estão frequentemente relacionadas.
Algumas pessoas podem não beneficiar o suficiente apenas com aparelhos auditivos e precisar de um plano de acompanhamento mais abrangente, que inclua aconselhamento, terapia sonora ou apoio psicológico.
Os aparelhos auditivos não curam o zumbido, mas são uma das soluções mais estudadas para reduzir a sua perceção e o incómodo que provoca.
Quando o zumbido está associado à perda auditiva, os aparelhos auditivos podem ajudar a tornar os sons do ambiente mais audíveis, reduzir o esforço auditivo e favorecer a habituação ao tinnitus.
Embora não exista uma solução única para todos os casos, há atualmente várias estratégias que podem reduzir significativamente o impacto do zumbido na qualidade de vida.
Se sente um zumbido persistente, fale com um médico otorrino. Uma avaliação adequada é o primeiro passo para compreender a causa e encontrar a abordagem mais indicada para si.
Fontes:
1 The Lancet: Tinnitus (2013): doi.org/10.1016/S0140-6736(13)60142-7
2 International Journal of Audiology: Hearing more to hear less: a scoping review of hearing aids for tinnitus relief (2022): doi.org/10.1080/14992027.2021.2007423
3a Trends in Amplification: The role of audiologic evaluation in progressive audiologic tinnitus management (2008): doi.org/10.1177/1084713808319941
3b Trends in Amplification: Using therapeutic sound with progressive audiologic tinnitus management (2008): doi.org/10.1177/1084713808321184
4 Neuroscience: Rationale and efficacy of sound therapies for tinnitus and hyperacusis (2019): doi.org/10.1016/j.neuroscience.2018.09.012
5 Ear and Hearing: Predictors of tinnitus symptom relief with hearing aids in a European multicenter study (2025): doi.org/10.1097/AUD.0000000000001624
6 American Journal of Audiology: Hearing aids mitigate tinnitus, but does it matter if the patient receives amplification in accordance with their hearing impairment or not? A meta-analysis (2022): doi.org/10.1044/2022_AJA-22-00004
7 Progress in Brain Research: The difference in poststimulus suppression between residual inhibition and forward masking (2021): doi.org/10.1016/bs.pbr.2020.08.010
8 Assistive Technology: Spatial masking: Development and testing of a new tinnitus assistive technology (2016): doi.org/10.1080/10400435.2015.1110214
9 BMJ Open: Logistic regression analysis of factors influencing the effectiveness of intensive sound masking therapy in patients with tinnitus (2017): doi.org/10.1136/bmjopen-2017-018050