Quando uma pessoa com perda auditiva recusa usar aparelhos auditivos, é natural que surjam dificuldades de comunicação no dia a dia do casal. Conversas interrompidas, pedidos constantes para repetir frases ou volumes de televisão mais altos podem gerar frustração de ambos os lados.
Compreender as razões por trás dessa resistência e abordar o tema com empatia pode ajudar a abrir espaço para uma conversa mais construtiva e, muitas vezes, para a procura de soluções que melhorem a qualidade de vida dos dois.
Compreender a relutância
Sabe que os aparelhos auditivos podem melhorar a comunicação e a ligação no casal, mas o seu parceiro continua a recusar utilizá-los. Esta situação é mais comum do que se imagina e, na maioria das vezes, a hesitação não está diretamente relacionada com a audição.
Para muitas pessoas, aceitar a possibilidade de usar aparelhos auditivos implica lidar com sentimentos ligados à mudança, à imagem que têm de si próprias ou ao receio do que os outros possam pensar.
Entre as razões mais frequentes para esta resistência encontram-se:
Algumas pessoas ainda associam os aparelhos auditivos ao envelhecimento ou a uma perda de autonomia. Também podem existir ideias erradas sobre a tecnologia ou preocupações relacionadas com a aparência.
Estudos mostram que o estigma social e as preocupações com a identidade podem influenciar a decisão de procurar ajuda para a perda auditiva.¹
Dicas de Comunicação
Em vez de focar a conversa no que o seu parceiro não consegue ouvir, fale sobre o impacto que isso tem na vossa comunicação e na ligação entre os dois.
Desta forma, o tema deixa de ser um problema individual e passa a ser uma questão partilhada.
Deixamos algumas sugestões:
As alterações na audição podem ter impacto emocional. Mostrar compreensão pode ajudar o seu parceiro a sentir-se apoiado, em vez de pressionado.
Algumas formas de abordar a conversa:
A investigação mostra que quando ambos os parceiros participam nas soluções, a adaptação à perda auditiva tende a ser mais bem-sucedida.¹
Podem começar por pequenas mudanças no dia a dia:
Pequenos passos. Grandes conquistas.
Uma avaliação auditiva gratuita pode ser um primeiro passo simples e sem compromisso.
Apresente a consulta como uma oportunidade para obter informação sobre a audição e não como uma decisão imediata sobre a solução.
Também pode:
Pergunte, por exemplo: “O que gostarias mesmo de voltar a ouvir melhor?”
Esta pergunta pode ajudar a identificar motivações importantes.
Lembre-se de:
Fontes:
International Journal of Audiology: ‘Coping together with hearing loss: a qualitative meta-synthesis of the psychosocial experiences of people with hearing loss and their communication partners,’ (2017): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28599604/
Healthy Hearing: The impact of hearing loss on relationships: https://www.healthyhearing.com/report/52619-The-impact-of-hearing-loss-on-relationships
Scarinci, N., Waite, M., Nickbakht, M., Ekberg, K., Timmer, B., Meyer, C., & Hickson, L. (2025). How do adults with hearing loss, family members, and hearing care professionals respond to the stigma of hearing loss and hearing aids?.InternationalJournalofAudiology, 64(sup1), S20-S27.
Ritchie, J. P. (2017). Facilitators and barriers to communication partner involvement in audiological rehabilitation.
Scarinci, N., Worrall, L., & Hickson, L. (2008). The effect of hearing impairment in older people on the spouse. Internationaljournalofaudiology, 47(3), 141-151.