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O que devo dizer (e evitar dizer) a alguém com perda auditiva?

As palavras que escolhemos podem fazer uma grande diferença, sobretudo quando comunicamos com alguém com perda auditiva. Uma abordagem inadequada pode gerar frustração, enquanto uma comunicação empática pode fortalecer relações e promover o bem-estar. Este guia, desenvolvido por audiologistas, reúne orientações práticas para promover conversas claras, respeitosas e empoderadoras.
Publicado 1/8/2026,
1/8/2026
2 minutos de leitura
Saúde AuditivaDicas
Amigas a dar um abraço com cumplicidade

Como iniciar uma conversa sobre perda auditiva sem causar desconforto?

Ao falar com alguém sobre a sua perda auditiva, é essencial começar com empatia e foco no apoio, nunca no confronto. O objetivo deve ser criar um espaço seguro, onde a pessoa se sinta compreendida e valorizada. Utilize um tom calmo, uma linguagem corporal aberta e demonstre disponibilidade para ouvir.

Sempre que possível, sente-se ao lado da pessoa, em vez de ficar diretamente em frente. Esta posição pode facilitar a audição, a leitura labial e a sensação de proximidade, tornando a conversa mais confortável.

Em vez de abordar o tema de forma direta e abrupta, pode introduzi-lo de forma mais geral, referindo que as alterações auditivas são comuns ou que, por vezes, podem interferir nas conversas do dia a dia. Partilhar uma experiência pessoal, como ter feito um teste de audição ou aprendido algo novo sobre o funcionamento da audição, ajuda a tornar a conversa mais natural e menos intimidante.

Ter algum conhecimento sobre saúde e bem-estar auditivo transmite confiança e permite responder a dúvidas de forma informada. Esta preparação contribui para uma conversa mais serena, positiva e construtiva.

 

 

 
Mulher sozinha a segurar chávena

O que devo evitar dizer a alguém com perda auditiva?

A forma como comunica é tão importante quanto aquilo que diz. A linguagem corporal, o tom de voz e as palavras escolhidas têm um impacto direto na forma como a mensagem é recebida por alguém com perda auditiva.

Evite falar excessivamente alto. Aumentar o volume nem sempre melhora a compreensão e pode, em alguns casos, causar desconforto. Prefira um discurso claro, natural e ligeiramente mais pausado, ajustando o tom apenas se necessário, sempre de forma respeitosa.

É fundamental evitar associações negativas à perda auditiva, como falta de atenção, confusão ou desinteresse. Estas interpretações podem gerar sentimentos de exclusão ou desvalorização. Em vez disso, adote uma postura de curiosidade e compreensão, sem julgamentos.

Frases simples e empáticas, como “Percebo como isto pode ser difícil. Precisa que repita?”, são muito mais eficazes do que comentários como “Não me estás a ouvir”. Uma abordagem colaborativa, como “Diz-me como posso ajudar a comunicar melhor contigo”, promove inclusão e reforça a confiança.

Criar um ambiente positivo e inclusivo facilita a comunicação e torna as interações mais significativas para todos.

 

Como posso incentivar alguém próximo a fazer um teste de audição?

Incentivar alguém a realizar um teste de audição deve ser feito de forma tranquila e respeitosa. Explique que se trata de um procedimento simples, indolor e essencial para compreender melhor a saúde auditiva.

Se existir hesitação, pode sugerir que o teste auditivo faça parte da rotina regular de cuidados de saúde, tal como a avaliação da visão ou a medição da tensão arterial. Partilhar experiências positivas de outras pessoas que realizaram testes auditivos também pode ajudar a reduzir receios.

O mais importante é deixar claro que esta sugestão nasce da preocupação e do cuidado. Reforce que o objetivo é melhorar a qualidade de vida, facilitar a comunicação e permitir que continuem a desfrutar plenamente dos momentos em conjunto.

 

O que fazer quando a pessoa não reconhece a perda auditiva?

Quando existe resistência em aceitar a possibilidade de perda auditiva, enquadrar o teste auditivo como parte de uma avaliação geral de saúde pode tornar o tema mais acessível. Incentive uma abordagem preventiva, focada no bem-estar e na manutenção de um estilo de vida ativo e satisfatório.

Pode também mencionar sinais do quotidiano de forma delicada, como a necessidade de aumentar o volume da televisão ou a dificuldade em ouvir sons habituais, como o chilrear dos pássaros. Estes exemplos concretos ajudam a aumentar a consciência sem gerar pressão.

Acima de tudo, seja paciente. Reconhecer e aceitar mudanças na saúde auditiva é um processo que pode levar tempo. Ao manter uma atitude compreensiva e solidária, está a criar as condições necessárias para que essa decisão seja tomada no momento certo.

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