Muitas pessoas não sabem, mas ouvir bem vai muito além de captar sons – a audição é uma peça-chave para manter o equilíbrio e a orientação no espaço. Quando a audição falha, o cérebro perde referências importantes sobre o ambiente, aumentando o risco de quedas e descoordenação, especialmente à medida que envelhecemos.
“Nem todas as pessoas com perda auditiva sentem vertigens ou desequilíbrios, mas estes sintomas podem surgir em condições como a doença de Ménière, que afeta ao mesmo tempo a audição e o sistema vestibular”, explica Maria Inês Durão, audiologista.
“O uso de aparelhos auditivos não só melhora a capacidade de ouvir, como também reforça a perceção do ambiente e ajuda a manter a estabilidade e a confiança nos movimentos.”
Neste artigo, vamos mostrar como audição e equilíbrio estão interligados e que pequenas soluções podem fazer uma grande diferença para se manter seguro e ativo no dia a dia.
O equilíbrio não depende apenas das pernas ou dos olhos – o ouvido interno desempenha um papel central na forma como nos mantemos estáveis e orientados no espaço. Dentro do ouvido interno encontram-se dois sistemas fundamentais: a cóclea, responsável pela audição, e o sistema vestibular, que regula o equilíbrio. Quando algum destes sistemas sofre alterações, tanto a audição como a estabilidade podem ser afetadas.
“O ouvido interno envia constantemente sinais ao cérebro sobre a posição da cabeça e do corpo”, explica Maria Inês Durão. “Mesmo quando estamos em movimento ou apenas a caminhar, o cérebro recebe informações que ajudam a manter o corpo equilibrado.”
Os ouvidos funcionam como sensores que ajudam o corpo a perceber a distância, direção e movimento ao seu redor. Se houver falhas nesta comunicação, o cérebro pode ter dificuldade em processar referências espaciais, tornando a coordenação e o equilíbrio mais desafiantes.
Todos já tropeçámos ou perdemos o equilíbrio ocasionalmente. Mas, quando as quedas começam a tornar-se frequentes, é sinal de que algo mais profundo pode estar a acontecer. A perda auditiva pode sobrecarregar o cérebro, que precisa de concentrar-se mais para compreender sons e fala, desviando recursos da manutenção do equilíbrio.
“Este esforço cognitivo extra, aliado à menor participação em atividades sociais ou físicas devido à perda auditiva, pode enfraquecer músculos e prejudicar a estabilidade”, explica a audiologista Maria Inês Durão.
Estudos mostram que:
A boa notícia é utilizar aparelhos auditivos, pode reduzir significativamente o risco de quedas. Estudos indicam que o uso de aparelhos auditivos pode diminuir este risco em até 50%.
Os aparelhos auditivos ajudam a:
“Os microfones dos aparelhos auditivos mais recentes captam sons de diferentes direções, aumentando a perceção espacial e reduzindo potencialmente tonturas”, explica Maria Inês Durão.
“Ao permitir que tenha mais noção dos sons à sua volta, os aparelhos auditivos permitem movimentar-se com mais segurança e confiança.”
Para proteger o equilíbrio, pequenos gestos podem ser decisivos: