Apoiar quem enfrenta mudanças na audição
Falar atempadamente sobre saúde auditiva é um passo essencial para ajudar um familiar — seja o cônjuge, pai, mãe ou outro elemento da família — a ouvir melhor e a tirar o máximo partido das soluções disponíveis.
Criar um ambiente de apoio contribui para que a pessoa se sinta compreendida, confiante e mais ligada ao mundo do som.
Segundo Mari Rosberg, audiologista, o envolvimento da família traz benefícios claros:
“É fundamental que a família participe ativamente no processo de reabilitação auditiva, para que possamos desenvolver estratégias conjuntas que realmente funcionem.”
Dar o primeiro passo: falar sobre saúde auditiva
Notou alterações na audição de alguém próximo? Abordar este tema pode ser delicado, mas evitá-lo tende a aumentar o desconforto. Uma conversa aberta, feita com empatia e respeito, é muitas vezes o primeiro passo para a mudança.
Aqui ficam cinco formas de iniciar uma conversa construtiva sobre a perda auditiva:
A tecnologia auditiva evoluiu muito nos últimos anos. Os aparelhos auditivos atuais são discretos, confortáveis e adaptados às necessidades de cada pessoa. Enquadre a conversa de forma positiva, mostrando que hoje ouvir bem é mais simples do que nunca.
Pergunte quais são as dúvidas, receios ou resistências. Dê espaço para que a pessoa se exprima sem julgamentos. Compreender essas preocupações é essencial para avançar no processo.
Acompanhar um familiar numa avaliação auditiva é uma das formas mais eficazes de apoio. Além de transmitir segurança, permite que todos compreendam melhor a situação e as opções disponíveis.
De acordo com Mari Rosberg, é essencial obter um diagnóstico completo: “Só assim a pessoa consegue compreender o estado da sua saúde auditiva e, em simultâneo, a família percebe como pode apoiar de forma mais eficaz.”
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Dentro e fora de casa, pequenas mudanças fazem uma grande diferença:
Se as dificuldades persistirem, fale com um audiologista sobre reabilitação auditiva. Exercícios que ajudam o cérebro a processar melhor os sons dos aparelhos auditivos.
Acompanhar as consultas também pode ser útil para apoiar na utilização correta dos dispositivos, resolver pequenas dúvidas técnicas e ajudar na manutenção diária.
É comum que as alterações na audição sejam desvalorizadas numa fase inicial3 — seja por falta de consciência dos sinais, por estigma ou por achar que “não é assim tão grave”.
Mesmo após procurar ajuda especializada, algumas pessoas sentem resistência em usar aparelhos auditivos. Nesses casos, o apoio motivacional é essencial. Pode ser útil falar sobre os benefícios comprovados da reabilitação auditiva, incluindo a sua relação com a estimulação cognitiva4, ou incentivar uma conversa aberta com o audilogista.
A diferença está na forma como comunica: com empatia, paciência e encorajamento. Sem pressão, mas com a abertura para descobrir como ouvir melhor pode transformar o dia a dia.
Com apoio consistente, cada pessoa encontra o seu próprio ritmo para aceitar as mudanças. Estar presente ao longo desse caminho é, muitas vezes, o maior contributo que pode dar.
Fontes
1. HearUSA: You can help make a difference: https://www.hearusa.com/hearing-loss/help-a-loved-one/
2. Hear Canada: Why you should bring a buddy to your hearing assessment: https://www.hearcanada.com/blog/2024_10_07_why-you-should-bring-a-buddy-to-your-hearing-assessment/
3 Journal of Hearing Science: Denial by patients of hearing loss: https://www.journalofhearingscience.com/DENIAL-BY-PATIENTS-OF-HEARING-LOSS-AND-nTHEIR-REJECTION-OF-HEARING-HEALTH-CARE-nA,120311,0,2.html
4 Alzheimer’s & Dementia: Translational Research & Clinical Interventions: The impact of hearing impairment and hearing aid use on progression to mild cognitive impairment in cognitively healthy adults: An observational cohort study (Feb 2022): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35229022/
JAMA Otolaryngology–Head & Neck Surgery: Hearing Loss, Hearing Aid Use, and Risk of Dementia in Older Adults (1 Feb 2024): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38175662/