Os aparelhos auditivos não são uma solução imediata nem devolvem a audição ao “normal”, mas representam um avanço muito significativo. À medida que o cérebro se habitua a processar os sons através dos dispositivos, é natural começar a notar uma audição mais clara e uma melhor perceção da fala em muitas situações do dia a dia.
Embora não restaurem completamente a audição natural, os aparelhos auditivos permitem comunicar com mais facilidade, fortalecer relações e participar de forma mais ativa na vida quotidiana. Importa lembrar que mesmo pessoas sem perda auditiva sentem, por vezes, dificuldades em ambientes ruidosos. Os utilizadores de aparelhos auditivos não são exceção.
Com o tempo e uma utilização consistente, muitas pessoas relatam melhorias claras na comunicação, no envolvimento social e na qualidade de vida em geral.
Os aparelhos auditivos são dispositivos tecnologicamente avançados que utilizam processamento inteligente do som para proporcionar uma audição mais nítida e confortável. Estes dispositivos ajudam a destacar a fala e a reduzir o ruído de fundo, tornando as conversas mais fáceis de acompanhar.
Os aparelhos auditivos são programados de forma personalizada por um audiologista, de acordo com as necessidades auditivas específicas de cada pessoa.
Os audiologistas são especialistas na ciência da audição e do som, com formação para compreender a forma como o cérebro processa a informação sonora. Melhorar a audição é um processo gradual, e o acompanhamento profissional é fundamental em todas as fases.
Tirar o máximo partido dos aparelhos auditivos vai além de simplesmente colocá-los. É essencial dar tempo ao cérebro para se adaptar, usá-los regularmente e manter uma comunicação regular com a equipa do seu Centro Auditivo. A reabilitação auditiva é um processo cujo sucesso depende de consistência, trabalho multidisciplinar e acompanhamento contínuo.
Os aparelhos auditivos são a solução mais comum e eficaz para a maioria dos casos de perda auditiva. No entanto, quando a perda auditiva resulta de causas tratáveis — como infeções do ouvido, acumulação de líquido ou excesso de cera — o tratamento médico ou cirúrgico pode melhorar ou restaurar a audição sem necessidade de aparelhos auditivos.
Nos casos de perda auditiva neurossensorial permanente — frequentemente associada ao envelhecimento, à exposição prolongada ao ruído ou a danos no ouvido interno — os aparelhos auditivos são, regra geral, a melhor opção. Em situações de perda auditiva profunda, os aparelhos auditivos podem não ser suficientes, sendo então considerados implantes cocleares³ ou outras soluções cirúrgicas. Algumas condições específicas, como malformações do ouvido externo ou perda auditiva unilateral⁴, podem exigir dispositivos auditivos diferentes.
A melhor forma de encontrar a solução adequada é consultar um profissional de saúde auditiva que compreenda as suas necessidades, expectativas e objetivos pessoais.
Apesar de a investigação em novos tratamentos continuar a evoluir, os aparelhos auditivos permanecem hoje a opção mais acessível e eficaz para melhorar a audição e a qualidade de vida da maioria das pessoas
Fontes
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2 Holman, J. A., Drummond, A., & Naylor, G. (2021). Hearing Aids Reduce Daily-Life Fatigue and Increase Social Activity: A Longitudinal Study. Trends in hearing, 25, 23312165211052786. https://doi.org/10.1177/23312165211052786
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3 Achena, A., Achena, F., Dragonetti, A. G., Sechi, S., Pili, A. W., Locci, M. C., Turnu, G., Maniaci, A., & Ferlito, S. (2022). Cochlear Implant Evolving Indications: Our Outcomes in Adult Patients. Audiology research, 12(4), 414–422. https://doi.org/10.3390/audiolres12040042
4 Goel, A. R., Bruce, H. A., Williams, N., & Alexiades, G. (2021). Long-Term Effects of Hearing Aids on Hearing Ability in Patients with Sensorineural Hearing Loss. Journal of the American Academy of Audiology, 32(6), 374–378. https://doi.org/10.1055/s-0041-1731592